CAMPO & CIDADE

Dom Pedro II

Dia desses trocava um dedo de prosa com Robson Richard Duvoisin. Robson é nada mais, nada menos do que neto de Louis Duvoisin,
cozinheiro de Léonce Aubé, primeiro administrador da Colônia Dona Francisca. Antes disso o avô participará do ousado projeto utópico –
Falanstério do Shay, Vila da Glória, São Francisco do Sul. Colônia Agrícola e Industrial. O ano, 1841. Dali, diante do fracasso do projeto, partiu para o Rio de Janeiro.

Aubé vindo para Joinville, sabendo de seu conhecimento sobre a região, o convida. Ei-lo de volta. Ano, 1849. Agora com a missão de
oferecer abrigo aos futuros colonizadores.

Robson é taxativo: Todos os Duvoisin derivam de Louis Duvoisin. Dedicaram-se ao ramo hoteleiro e ao comércio. Pirabeiraba, Campo
Alegre e Porto União. E o pai de Robson foi dono do primeiro hotel em Campo Alegre. E também o primeiro prefeito eleito. De veia anarquista, mas apegados ao trabalho, Robson discorrendo sobre o Sahy, não esconde sua admiração por Dom Pedro II. Inteligente e atento às novidades.
Ora a ousadia do imperador, patrocinar um projeto de colonização de cunho socialista. Utopia fourierista no Brasil. Antes disso investira em
projeto similar: Colônia Cecília, no atual município de Palmeira, Estado do Paraná.

Diante desse start, vamos então a Dom Pedro II. Pouco estudado, mas figura central na consolidação da nacionalidade brasileira. Culto.
Apegado a diversos ramos do conhecimento como: antropologia, geografia, geologia, medicina, direito, estudos religiosos, filosofia,
pintura, escultura, enxadrismo, teatro, música, cinema, astronomia, química, física, , poesia, tradução e tecnologia. E estudioso de idiomas
como: latim francês, alemão, inglês, grego, hebraico, sânscrito, chinês, provençal e tupi.

Teve como mestre, desde a primeira hora, José Bonifácio de Andrada, Mariana Carlota Coutinho e Rafael, um negro, veterano da
Guerra Cisplatina. Galga o trono com apenas catorze anos.

Trabalhador compulsivo e disciplinado, a jornada impreterivelmente iniciava as 7 horas de manhã e findava as 2 horas da madrugada.

Governou o Brasil por 58 anos. De 1825 a 1891. Durante o reinado enfrentou conflitos fronteiriços, entre os quais a Guerra Cisplatina e do
Paraguai. E revoltas internas: Balaiada, 1841; Farroupilha e Praieira, 1848.

A erudição do imperador surpreendeu Friedrich e Victor Hugo, ambos o conheceram. Era admirado por figuras do porte de Graham Bell e
Charles Darwin. Manteve contato com Richard Vagner, Louis Pasteur, Henry Longfellow, Louis Agassiz, Frédérich Mistral, Alexandre Herculano, Alessandro Manzoni, Camilo Castelo Branco, James Fletcher.

Pertenceu a várias academias de ciências e artes. Entre as quais: francesa, belga, americana, russa e inglesa. E foi o primeiro brasileiro
fotografado. Câmara tipo daguerreótipo. Isso em 1840.

Empreendeu viagens de estudos para a Europa, Estados Unidos, África e Oriente Médio. Na Síria tratou sobre a vinda de imigrantes.

Com visão de futuro: investiu em ferrovias, navegação e portos. E na educação: Colégio Dom Pedro II. O produto interno bruto brasileiro no
império era superior ao americano. Sem dúvida, um feito notável.

Prudência e sabedoria sua marca maior. Vejam. “Enquanto se puder reduzir despesas, não há direito de criar novos impostos. Despesa inútil é furto à nação”.

Sem sucessor masculino, e sentindo-se traído, diante da proclamação da república, não reage. Retira-se. Suas palavras: “Se assim é, será minha aposentadoria. Trabalhei de mais e estou cansado. Agora vou descansar. Ele e sua família foram mandados para o exílio na Europa, partindo em 17 de novembro de 1889”.

Sus últimas palavras, antes de partir, foram: “Deus me conceda esses últimos desejos – paz e prosperidade para o Brasil. Isso num modesto
quarto de Hotel em Paris.

Diante do que vemos atualmente, e do que constatamos em nossa querida pátria, nesta hora só nos resta dizer: - Dom Pedro II faz falta.
Urge conhece-lo melhor.

Amigo Robson Duvoisin, obrigado por essa.

Joinville, 2 de fevereiro de 2026
Onévio Zabot
Engenheiro Agrônomo

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